19 maio, 2010

Saia de 'Jurassic Park' para não acabar no 'Titanic'

Há muito tempo venho acompanhando o mercado interativo e só agora me toquei o quanto diversas agências continuam vivendo na idade da pedra. Com a crise financeira de 2008, as desculpas de muitas por aí era a redução de investimento por parte dos clientes. Neste momento, dois anos após a queda dos mercados financeiros em todo mundo, Portugal vive uma crise de tudo. Há uma crise de confiança, e a publicidade é uma ferramenta muito conservadora.

As pessoas que arriscam o seu dinheiro na publicidade não querem mudar o mundo, querem vender os seus produtos. Então, se a 'terrinha' está a viver um mau momento, a publicidade também reflete isso. É muito insegura, não arrisca, não vai mais além do que se deve ir. É conservadora, só explora o que a sociedade tem, e ela não está feliz, contente ou delirante. Está reprimida e descontente, e isso é percebido nas campanhas.

Tudo bem que o país em que estou atualmente possui uma história muito complicada e só agora as pessoas estão conseguindo se livrar dos ranços da ditadura. Desde 1985, Portugal se encontra em processo de modernização. Juntou-se à União Europeia, mudou a moeda (2002) e, com isso, mudou o poder de compra e as esperanças da população, o que torna essa unha da Europa (expressão carinhosa que criei para Portugal!) um caso à parte. Com todas essas peculiaridades, nota-se que é extremamente necessária a dedicação a coisas novas.

Estando no Brasil durante a última crise, percebi que o medo é real (sem trocadilho!). Mas em Portugal, mesmo com a 'faminha' por estar na Europa, a crise pegou ainda mais forte. Os portugueses estão em clima de velório. Agora, imagine. Um país em crise ter que desembolsar milhões de euros para emprestar a outro que está ainda pior! Esse problema é passado para o consumidor, já que o governo precisa aumentar os impostos e diminuir salários. Sim, minha gente, a coisa está feia na terra dos Joaquins!

Ainda assim as pessoas não podem deixar de consumir. Isso é da natureza humana. Não adianta. Mas, com essa avalanche econômica no país, a inovação se tornou fator essencial para atingir o target e proporcionar um "amor à primeira vista". Caso contrário, as agências e clientes farão como no Titanic: Cantar enquanto o barco afunda.

2 comentários:

Marcos disse...

Eu já cheguei a pensar nisso. Mas aqui no Brasil até que as agências são mais evoluidas nesse ponto.
Mas concordo que ainda tem boa parte que vive na ICE AGE.
Bom texto. Parabéns!

Anônimo disse...

Não sabia que Portugal estava quebrado desse jeito!